terça-feira, 2 de julho de 2019

O Wally Divino | Pr. Thiago Convento



Pr. Thiago Convento

Introdução

No entanto, não são todas as pessoas que percebem através da criação a existência e o poder de Deus. Por que isso acontece? Este será o conteúdo que você irá ler. Antes de entrarmos no assunto, você já teve contado com um livro cheio de figuras, todo colorido e que tinha uma personagem com aparência simplória, usa óculos, camisa listrada vermelha e branca e usa um gorro velho vermelho?
Wally foi criado nos anos 80 por Martin Handford, britânico e um grande ilustrador. No início, o ilustrador queria apenas desenhar cenas da multidão, mas as crianças ficaram cada vez mais empolgadas em tentar achar o Wally, que levou a sua obra a ter mais de 40 milhões de exemplares do livro “Onde está Wally”, vendidos em 28 países.
Acredita-se que o Wally esteja em cada página, e que se faz necessário um olho bem treinado e disposição para poder acha-lo. O que torna difícil de encontrar o garoto de óculos e camisa listrada é sua aparência por demais comum. No início, a presença dele é clara e fácil de achar. Depois, ele está escondido e as outras figuras são gigantes, dificultando a procura.
Então, chegamos à última página, a mais difícil, e ele está em um ambiente repleto de Wallys praticamente idênticos a ele, diferenciando-se por pequenos detalhes, como a falta do “pompom” do Gorro. O Wally Divino, o Deus que se revela através da sua criação.

Revelação – Uma Breve Definição

Revelar é o ato de “tirar o véu” ou “trazer claro aquilo que estava encoberto”. O cristianismo é uma religião revelacional, que ele existe naquilo que Deus revelou. O autor da Epístola aos Hebreus diz que: 1 Por muito tempo Deus falou várias vezes e de diversas maneiras a nossos antepassados por meio dos profetas, 2 e agora, nestes últimos dias, ele nos falou por meio do Filho...” (Hebreus 1.1-2a).
Porém, “as muitas maneiras” de Deus se revelar pode ser entendida dentro de duas categorias: a Revelação Geral que abrange todas as coisas criadas como conteúdo e um público geral, que corresponde a toda humanidade e a Revelação Especial que abrange as Escrituras.

Revelação Geral - Criação

A telefonia móvel mudou a realidade das nossas conexões, principalmente com a chegada dos smartphones e dos aplicativos de telecomunicação. Hoje podemos nos comunicar com alguém do outro lado do globo terrestre, por meio de mensagens de textos, áudios, vídeos, chats e até vídeo conferência. Porém, está comunicação rápida, direta, entre pessoas acontecia muito antes da era dos smartphones, ela acontecia no jardim do Éden.
Quando o Senhor resolveu criar o homem e a mulher, Adão e Eva, eles não precisavam da Bíblia, pois além de conversar diretamente com Deus (Gênesis 3.8), eles aprendiam a respeito da Pessoa de Deus e de Sua vontade através da criação. É este tipo de “comunicação muda” que lemos no Salmo 19.1, 3 e 4a: 1 Os céus proclamam a glória de Deus; e o firmamento demonstra a habilidade de suas mãos (...) 3 Não há som nem palavras, nunca se ouve o que eles dizem. 4 Sua mensagem, porém, chegou a toda a terra, e suas palavras, aos confins do mundo”.
Através da criação, com a sua natureza, com seus mares e rios, fauna, animais, plantas, sol, luz, universo e o próprio homem, descobrimos que tudo isso não é obra do acaso e sim obra do Criador. Logo, a natureza por si é estéril e o seu propósito é mostrar a Deus como Criador.
O apóstolo Paulo, conhecedor deste Salmo, ao ser adorado em Listra pela cura de um aleijado, apelou para a Revelação Geral (Atos 14.8-18). Ele afirmou ser criatura de Deus como a todos de Listra e os ensinou a observarem o testemunho do Deus Criador (Atos 14.15), que ele diz ser as “chuvas e boas colheitas” e o coração cheio de “fartura e alegre” (Atos 14.17).
Em um outro momento, Paulo ao escrever para a igreja em Roma, diz que a natureza revela o suficiente de Deus, de tal forma que o homem não tem desculpa alguma diante de Deus. O poder eterno de Deus e a sua divindade são reconhecidos através da Criação (Romanos 1.18-20).
Diante disso, chegamos a conclusão de que nenhuma pessoa poderá se desculpar diante de Deus ou alegar algum tipo de inocência ou ignorância a Ele (Cf. Romanos 1.20). Porém, não apenas na Criação Deus se revela, mas através da consciência de cada homem e mulher.

Revelação Geral – Consciência

Todos os homens, sem exceção, têm o “senso de divindade1”. Isso foi o que ensinou o apóstolo Paulo à igreja em Roma, chamando de “a lei está gravada em seu coração...” (Romanos 2.15), mostrando que cada pessoa nasce com um padrão moral gravado no seu coração, possibilitando que a sociedade elabore leis para a sua boa conduta.
Não apenas o aspecto moral, mas o senso de divindade traz ao homem a profunda necessidade pela divindade, uma necessidade religiosa. Porém, por conta da distorção que o pecado provocou, este senso de divindade desvirtua-se, transformando em idolatria. Isto responde a constante busca do homem pela Divindade, no entanto de uma maneira errada, o que traz desagrado ao Senhor.
Por isso, a razão de tantas religiões, do homem saber o que é certo ou errado, sem ter sido ensinado sobre isso, pois ele é um ser moral, diferente de todos os animais. Ainda mais, com o texto de Romanos, o homem também será julgado por Deus de acordo com esse senso de divindade, a lei gravada no coração (Romanos 2.15 e 16), que também o torna indesculpável.
Deus proporciona ao homem – mediante a criação e a consciência, a oportunidade e a responsabilidade de conhecer a realidade do mundo que o cerca. No entanto, esse conhecimento não é completo nem absolutamente claro por causa do que obscureceu a mente humana. Mesmo que a natureza reflita a “Glória de Deus” ou até mesmo o “senso de divindade” mostre no íntimo do ser humano a existência de um ser divino, isso ainda se dá de forma distorcida.

A Distorção – O Pecado e sua Influência

Como dissemos anteriormente, a revelação por meio da criação e a lei gravada no coração do homem, eram suficientes para que Adão reconhecesse a Deus como o Criador e Senhor, cumprindo assim a sua vocação. No entanto, o pecado distorceu esta forma do homem compreender a revelação de Deus e ao invés de reconhecer que há um Criador, vejamos o que aconteceu:

  1. Idolatria
Deram a Deus a forma das coisas criadas, rebaixando a Sua glória e majestade. É justamente contra esse comportamento que Deus declara no início dos Dez Mandamentos (Êx 20.1-5).

  1. Naturalismo
Você deve estar lembrado do filme Avatar, que conta sobre o conflito entre os colonizadores humanos e os Na’vi (nativos humanoides) sobre os recursos do planeta e a continuação da espécie nativa em Pandora. Em uma das cenas, a Dra. Grace Augustine é baleada pelo Coronel Miles Quaritch e rapidamente Jake resolve pedir ajuda aos nativos e buscam salvar a sua vida através da Árvore das Almas. Há uma tentativa de transferir a alma de Grace para seu avatar, mas os ferimentos da cientista são graves demais e ela morre. Creio que esta é uma figura clara sobre o Naturalismo.
Trocaram a verdade sobre Deus pela mentira, assim adoraram e serviram coisas que Deus criou, em lugar do Criador (Rm 1.22-25). Agora, ao invés de adorar o Deus Criador, adoram os astros: Sol e Lua, Animais e elementos da Floresta, sendo que os adeptos do naturalismo adoram a “Mãe Natureza”. Mas, nós cristãos, cuidamos da natureza por ser ela o jardim de Deus, e cremos que tudo provém de Deus e não de uma suposta “mãe natureza, pois a natureza por si é estéril.

  1. Ateísmo ou Antropocentrismo
O ser humano luta insistentemente contra o senso de divindade implantado em seu coração. Chega a negar a existência de Deus, o que a Bíblia chama de insensatez (Sl 14.1). Interessante que “ser insensato” na Bíblia, não significa de pouco entendimento ou falta de inteligência, mas se trata de imoralidade. Outros, no lugar de adorarem e servirem a Deus, servem a si mesmos, fazendo do homem o centro de todas as coisas.

  1. Panteísmo
O panteísmo ensina que Deus está em todos os lugares: no ar, na planta, na pedra, nas nuvens, e em outras coisas. Este ensinamento é terrível e muitas vezes se infiltra em nossas igrejas através de canções. Sim, a Bíblia nos ensina que Deus é onipresente, mas Ele é totalmente diferente da sua criação. Ele é o Criador de todas as coisas.

  1. Deísmo
O deísmo ensina que Deus criou o mundo e deixou à sua própria sorte, como o relojoeiro que deu corda em um relógio e o deixou funcionar sozinho. Nesta teoria não vemos nenhuma expressão do poder de Deus na criação. O que a Bíblia nos mostra é que Deus criou e governa o planeta.

  1. Agnosticismo
O agnosticismo nega a validade sobre a revelação geral. O agnóstico não nega completamente a existência de Deus. Mas, ele afirma que as evidências são insuficientes para responder de uma maneira ou de outra quanto à existência de Deus. Prefere deixar de lado o seu julgamento, deixando o tema da existência de Deus uma questão em segundo plano. Porém, para qualquer pessoa que possui coração e mente abertos há uma grande possibilidade de perceber a glória de Deus.

A Ineficiência e Insuficiência da Revelação Geral
O que aprendemos até o momento é que a Revelação Geral nos aponta que o homem é indesculpável perante Deus, e por conta do pecado ela é ineficiente e insuficiente para mostrar o caminho da salvação. Ela é suficiente e eficaz para nos condenar, não para salvar.
Então, como podemos ser salvos? A salvação do ser humano se faz necessário uma obra superior ou espiritual, pois o nosso problema é da ordem espiritual. O pecado incapacitou para compreender a Revelação Geral de Deus (1Co 2.14).
No entanto, Deus se fez revelar não apenas por meio da Revelação Geral, mas em sua santa sabedoria e poder resolveu revelar-se ao homem de forma Especial, através das Escrituras Sagradas (A Bíblia) e assim salvar homens e mulheres através do anúncio do Evangelho (1Co 1.21; Rm 10.13, 14 e 17).

Para Refletir e Praticar

  1. Que revelações sobre o caráter e a natureza de Deus podem ser observadas na Criação?
  2. Onde é que Deus implantou o senso de divindade nos seres humanos?
  3. A revelação de Deus através da natureza é suficiente para a salvação de alguém? (Rm 1.18-23).
1. Este termo foi utilizado pelo Reformador do século XVI João Calvino.

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