sexta-feira, 9 de outubro de 2026



 

Professor: Uma profissão de honra. 
A função social da escola e a valorização de quem educa 

Antônia Aurélio Pinto
Mestre em Educação
Psicopedagoga e Neuropsicopedagoga
Diretora Pedagógica do Colégio Presbiteriano de Presidente Prudente 

Há professores que permanecem na memória muito depois de esquecidos os detalhes de uma aula. Permanecem a voz que encorajou, a explicação paciente, a firmeza de uma orientação e o olhar que percebeu uma dificuldade ainda não expressa. Essas lembranças revelam algo profundo sobre a educação: o conhecimento ganha significado por meio de encontros humanos. 

Homenagear os professores é reconhecer o valor desses encontros e a responsabilidade que os acompanha. Em cada sala de aula, convivem histórias, expectativas, fragilidades e possibilidades. Diante delas, o professor assume uma tarefa que exige preparação intelectual, sensibilidade e compromisso ético. Ensinar significa considerar aquilo que uma pessoa já consegue compreender e criar condições para que suas capacidades continuem a se desenvolver. 

Na perspectiva cristã, esse compromisso se fundamenta na dignidade humana: cada estudante é uma vida criada por Deus, merecedora de respeito, cuidado e oportunidades. Essa compreensão fortalece a responsabilidade de educar e acolher a todos, respeitando suas histórias e diferenças, inclusive religiosas. A fé encontra expressão na coerência entre os valores professados e a maneira como o próximo é tratado. 

Conhecimento e formação humana 

A relação entre formação humana, conhecimento e espiritualidade encontra um importante referencial em Comenius. Na Didática Magna, o educador articula instrução, formação moral e piedade, compreendida em seu horizonte cristão. Seu projeto de uma educação amplamente acessível reconhece a importância de formar as novas gerações e de organizar o ensino para que a aprendizagem aconteça com consistência. Em sua obra, educar integra uma responsabilidade humana e religiosa diante da vida em sociedade (Comenius, 2001). 

Em diálogo com esse legado, a escola pode ser compreendida como um lugar de cultivo das capacidades humanas. Esse cultivo exige intencionalidade: preparar o ambiente, conhecer as necessidades dos estudantes, oferecer recursos adequados e acompanhar o desenvolvimento. A imagem do jardim lembra que o crescimento demanda cuidado e tempo. Na educação, esse processo envolve também a participação ativa de quem aprende: cada estudante interpreta, pergunta, experimenta e constrói sentidos. 

A escola e a vida em sociedade 

A função social da escola se realiza no encontro entre o acesso ao conhecimento e a formação para a vida coletiva. Aprender a ler, escrever, compreender a ciência, apreciar a arte e interpretar a história amplia as possibilidades de participação na sociedade. A escola oferece, ainda, experiências de convivência nas quais se aprende a ouvir, argumentar, cooperar e reconhecer direitos e responsabilidades. 

Ao discutirem as finalidades educativas de uma escola socialmente justa, Libâneo e Silva (2020) relacionam o trabalho pedagógico ao atendimento à diversidade social e cultural. Essa perspectiva permite compreender que a qualidade da educação envolve tanto a aprendizagem dos conhecimentos escolares quanto a consideração das diferentes condições em que os estudantes vivem e aprendem. O compromisso com a equidade exige que a diversidade seja contemplada na organização do ensino. 

Nesse horizonte, cabe defender uma escola que acolha e ensine, reconheça diferenças e amplie possibilidades. Acolhimento e exigência pedagógica integram um mesmo compromisso: oferecer a cada estudante condições reais de desenvolvimento. A sensibilidade diante das dificuldades deve orientar intervenções qualificadas, expectativas de aprendizagem e oportunidades de avanço. O cuidado se concretiza quando a percepção de uma necessidade mobiliza ações para atendê-la. 

Rubem Alves acrescenta a essa reflexão a sensibilidade de quem percebe a educação como experiência capaz de despertar o pensamento e renovar o olhar sobre o mundo. Em A alegria de ensinar, aproxima aprendizagem, amor e a permanência do educador na vida daqueles a quem ensinou. Sua escrita convida a considerar a dimensão afetiva do conhecimento e o significado humano do encontro entre professor e aluno (Alves, 2000). 

Essa perspectiva ajuda a valorizar acontecimentos discretos do cotidiano escolar: a pergunta que finalmente aparece, a criança que recupera a confiança para tentar, o adolescente que descobre interesse por um assunto antes distante. Há conquistas que uma nota não consegue descrever inteiramente. Elas também precisam ser percebidas, acompanhadas e valorizadas por quem educa. 

A aproximação proposta permite estabelecer um diálogo entre a responsabilidade pela formação humana e a sensibilidade diante da experiência de aprender. Esse diálogo também evidencia a complexidade do trabalho docente: a atenção à pessoa precisa estar acompanhada de conhecimentos que sustentem a ação pedagógica. 

O conhecimento profissional e a autoridade pedagógica 

Ensinar envolve selecionar conteúdos, estabelecer objetivos, organizar experiências, interpretar dificuldades e avaliar percursos. Cada decisão exige critérios e mobiliza saberes profissionais. A afetividade contribui para a relação educativa, enquanto a formação e a reflexão sustentam a qualidade das intervenções. A explicação paciente, por exemplo, ganha força quando o professor identifica a dificuldade e encontra outra maneira de apresentar o conhecimento. 

Nóvoa (2017) defende uma formação de professores vinculada à profissão e capaz de fortalecer a posição de cada docente e da própria categoria profissional. Sua análise destaca a necessidade de aproximar formação e exercício profissional, reconhecendo os professores como participantes centrais desse processo. A valorização docente, nessa perspectiva, pressupõe reconhecer sua capacidade de produzir conhecimento sobre o ensino e participar das decisões que dizem respeito à educação. 

Esse reconhecimento oferece uma base para pensar a autoridade pedagógica. Sua legitimidade se constrói mediante conhecimento, coerência, responsabilidade e respeito aos estudantes. Exercê-la implica orientar, estabelecer limites, justificar decisões e sustentar condições adequadas à aprendizagem. Também exige abertura ao diálogo e disposição para rever práticas quando necessário. 

Há cuidado na orientação firme, quando ela preserva a dignidade e favorece o crescimento. O professor pode acolher a tristeza de uma criança e ajudá-la a compreender as consequências de uma atitude; pode reconhecer a frustração de um adolescente e ensiná-lo a enfrentar dificuldades com responsabilidade. Nesses momentos, ensinar envolve ajudar o estudante a construir formas mais conscientes de agir e conviver. 

Uma comunidade educativa precisa preservar simultaneamente a dignidade do professor e o direito do estudante de ser ouvido. Questionamentos sobre avaliações, metodologias ou situações de convivência devem encontrar espaços institucionais de escuta e apuração. A crítica responsável contribui para o aperfeiçoamento do ensino; a desqualificação pessoal compromete as relações necessárias ao trabalho educativo.

 Família e escola em diálogo 

Essa discussão alcança diretamente a relação entre família e escola. Nogueira (2006) examina essa relação à luz das transformações contemporâneas das duas instituições, oferecendo uma referência para compreendê-la em sua dimensão histórica e social. A parceria educativa deve, portanto, considerar expectativas, formas de participação e responsabilidades que precisam ser continuamente dialogadas. 

Diante de dificuldades de aprendizagem ou de conflitos, a busca imediata por um culpado pode impedir uma análise mais cuidadosa. Atribuir todo o baixo rendimento ao professor, assim como responsabilizar exclusivamente o estudante ou sua família, limita a compreensão do problema. Uma resposta educativa consistente requer examinar o ensino oferecido, as necessidades do aluno, as condições de estudo e os apoios disponíveis. 

Da mesma forma, acolher sentimentos e compreender comportamentos precisa caminhar junto ao ensino da responsabilidade. A escola constitui um espaço de convivência em que crianças e adolescentes aprendem a lidar com regras comuns, perspectivas diferentes e consequências de suas ações. Esse aprendizado requer mediação, continuidade e colaboração entre os adultos envolvidos. 

A responsabilidade compartilhada também precisa reconhecer que as famílias dispõem de condições distintas de tempo, escolaridade e recursos. Por isso, construir parceria exige comunicação acessível, escuta respeitosa e possibilidades concretas de participação. A confiança se fortalece quando a escola explicita seus critérios e quando as famílias podem apresentar suas dúvidas sem que o diálogo se transforme em confronto. 

A fé no cuidado cotidiano 

Na perspectiva cristã, esse compromisso encontra inspiração nas palavras de Jesus, registradas pelo evangelista Mateus: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai que está nos céus.” 

Mateus 5:16. Esse ensinamento constitui um chamado à coerência entre fé e ação. No trabalho educativo, essa luz pode tornar-se visível na justiça de uma decisão, na paciência de uma nova explicação, na honestidade ao reconhecer um erro e no respeito por uma vida confiada ao cuidado da escola. São gestos cotidianos pelos quais a fé assume expressão concreta no serviço ao próximo.

 Valorizar e cuidar de quem ensina 

Ao mesmo tempo, quem ilumina caminhos também precisa de cuidado. Professores sentem cansaço, enfrentam inseguranças e necessitam de apoio. Sua dedicação deve ser acompanhada de remuneração digna, tempo para planejamento, formação continuada, recursos pedagógicos, apoio à inclusão e atenção à saúde. A vocação se fortalece quando encontra condições para ser exercida com dignidade.

É incoerente celebrar a importância do professor enquanto se naturalizam condições que dificultam seu trabalho. A homenagem precisa alcançar as decisões institucionais e as relações cotidianas. Respeito, escuta e condições adequadas de atuação tornam concreto o reconhecimento de uma profissão essencial à vida coletiva. 

O Dia dos Professores oferece uma oportunidade de agradecer por cada profissional que prepara suas aulas, acompanha processos e procura novas maneiras de ensinar. Por aqueles que se alegram com os avanços dos estudantes e que, diante das dificuldades, buscam compreender o que ainda pode ser feito. Sob o olhar da fé, essa gratidão também se dirige a Deus pela vida de quem educa e pelo bem realizado por meio de seu trabalho. 

A humanidade de quem educa 

Reconhecer a força transformadora da mediação afetiva do conhecimento exige também reconhecer a humanidade de quem ensina. Na perspectiva de Henri Wallon (2007), afetividade, movimento e cognição integram o desenvolvimento da pessoa, constituído nas relações com o meio e com os outros. Essa compreensão ajuda a perceber que os vínculos e as emoções participam da experiência de aprender e merecem atenção no trabalho pedagógico. 

Nesse encontro, o professor é uma pessoa de carne e osso: alegra-se, entristece-se, enfrenta dúvidas, perdoa e precisa ser perdoado. Sua dedicação não o torna um super-humano, imune ao cansaço, às fragilidades ou aos equívocos. Enquanto ensina, também aprende; enquanto orienta, também necessita de escuta, compreensão e cuidado. 

Reconhecer os próprios limites e assumir os próprios erros com responsabilidade são atitudes que também educam. Quando acolhido pela reflexão e acompanhado da disposição para reparar e recomeçar, o erro torna-se matéria-prima da aprendizagem. Há uma profunda lição de humanidade no professor que reconhece uma falha, pede perdão e revê sua prática: seu exemplo ensina que crescer é um processo contínuo, sustentado pela humildade, pela graça e pela oportunidade de fazer melhor. 

Que a homenagem se transforme em compromisso. Que famílias, instituições e sociedade reconheçam, em suas atitudes, o valor de quem ensina. E que os professores encontrem respeito, apoio e esperança para continuar sua missão educativa.

Professor: uma profissão de honra. Honrá-la é cuidar de quem ensina e assumir, coletivamente, a responsabilidade pelas vidas que estão aprendendo. 

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Pecado - Devocional 11 de Outubro

 


Dia 11 de Outubro

"Mas agora ele os reconciliou pelo corpo físico de Cristo[h],
mediante a morte, para apresentá-los diante dele santos,
inculpáveis e livres de qualquer acusação."

Colossenses 1:22


    O sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo pecado. Há tanta música nesse verso que, quando os espíritos diante do trono desejam ter uma canção da qual nunca se cansem, eles selecionam esse sentimento e cantam diante do trono que lavaram suas vestes e as tornaram brancas no sangue do Cordeiro. Sua pureza diante de Deus se deve à fonte cheia de sangue, onde suas vestimentas manchadas, todas sujas de pecado, foram purificadas.

Charles H. Spurgeon.


🙋 Eu quero o devocional 365 Mensagens diárias com Charles Spurgeon.

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Pecado - Devocional 04 de Outubro

 


Dia 04 de Outubro

"Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer,
esse eu continuo fazendo."


Romanos 7:18-19

    Em nossos corações, odiamos cada caminho falso, e ainda assim confessamos com pesar: "Quando desejo fazer o bem, o mal está presente comigo." Às vezes, quando nosso espírito clama mais ardorosamente por Deus, uma vontade santa está presente conosco, mas como realizar o bem não sabemos. A carne e o sangue têm tendências e fraquezas que, embora não sejam pecaminosas em si mesmas, tendem nessa direção. Apetites precisam de apenas um leve estímulo para germinar em luxúrias.

Charles H. Spurgeon.


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quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Riquezas, o que a Bíblia Diz?




Riquezas, o que a Bíblia Diz?


– Ser rico é ser materialista?

A Bíblia diz que o amor ao dinheiro é a raiz de toda sorte de males.

"Mas os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos insensatos e nocivos, que levam as pessoas a se afundar na ruína e na perdição." 1 Timóteo 6: 9;

    Também nos diz a Palavra de Deus que onde estiver nosso tesouro, aí estará nosso coração —

"Porque, onde estiver o seu tesouro, aí estará também o seu coração." Mateus 6: 21;

— obviamente Jesus disse isso por causa do poder de sedução das riquezas.

Uma verdade bíblica, que a pessoa que  tem recursos não pode negar, é que Deus ordena aos que possuem mais que socorram os necessitados.

"Que eles façam o bem, sejam ricos em boas obras, generosos em dar e prontos a repartir;" 1 Timóteo 6: 18;

É nesse ponto que quem é rico deve examinar o coração — se estão tão apegados ao “ter e possuir” que não sentem nenhuma sensibilidade diante das necessidades do próximo.


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